sábado, 6 de fevereiro de 2010

...ASSIM ERA O NOSSO BREJO - PARTE 14 - O Padre Augusto... 9

Quando o Padre Augusto se transferiu para a nova Freguesia, varias provações teve que enfrentar no setor da Religião e da educação do povo do Brejo ainda nos primórdios da civilização. A Igreja Matriz não passava de uma pequena capela, apenas com o corpo principal necessitando de um aumento substancial.

A medida que o tempo corria, empreendeu a sua r4econstrução e aumentou-a de um terço organizando daí por diante as festas religiosas segundo a verdadeira liturgia da Igreja Católica.

No setor educacional, com os próprios meninos de sua casa organizou uma banda de musica a que deu o nome de LIRA. Com ela, disputava torneios musicais com a banda de Montes Claros, a fim de incentivar o gosto pela arte e pelas coisas do espírito.

O Mestre José Maria, aconselhado por ele, ao se ressentir de partituras novas, incógnito, comparecia à “cidade”, ouvia os ensaios da banda local. No dia aprazado do torneio, a LIRA surpreendia a outra executando a sua própria melodia, justamente aquela que eles tanto haviam ensaiado para a derrota dos adversários!.

Com isso, o Padre Augusto incentivava o culto da arte e das letras, completando a formação intelectual de seus pupilos, pois os mesmos já tinham oficinas de carpintaria e de sapataria aonde aprendiam um oficio para a conquista do pão!

À maneira que o tempo ia correndo, cada vez mais se acentuava no Padre Augusto certos pendores sobrenaturais, principalmente o da visão espiritual.

Quase na mesma época que o Padre Augusto se transferia para o Brejo das Almas, achando-se como vigário em Teófilo Otoni, foi escolhido para coadjutor de Dom Cláudio, Bispo do Rio Grande do Sul. Foi sagrado em Maio de 1906 pelo Bispo Dom Joaquim Silvério de Souza, com o titulo de Bispo de Pentencônia.

O respeito e a veneração que o povo sentia pelo Padre Augusto, às vezes parecia até mesmo com fanatismo. Comentavam as pessoas de sua intimidade que os habitantes de Itacambira o amavam tanto que só faltavam coloca-lo num andor.

Fora tido também como um homem sem medo, pois enfrentou ele ás conjunturas mais críticas, não só em defesa de amigos, como da própria Religião.

A sua presença nos locais onde se perturbavam a ordem pública era como uma mangueira que, soltando fortes esguichos de água serenava grandes labaredas que a tudo consumiam.

Homens tidos como os mais valentes da região, dobravam a cabeça e baixavam os olhos na presença do Padre Augusto.

Haja vista o caso de Alfredo. Ele era um homem de porte gigantesco, rosto vermelho como a uma papoula, dentes cravejados de ouro e cabelos de um ruivo acobreado. Andava sempre calçado de botas marrom, em cujos calcanhares se via amarrados um par de esporas de metal amarelo, que servia de tormento às mocinhas humildes que com ele dançavam nas festas da roça. Usava um chapéu de abas largas e vestia geralmente roupas de brim káki. Os meninos o conheciam por “Alfredão”.

Quando estava porém em Brejo das Almas, acompanhado de sua turma que se compunha de vários homens a cavalo, vestidos de gibão e bem armados, as casas comerciais, na sua maioria cerravam as portas procurando as famílias também não se mostrar.

Ele descia quase sempre a porta da residência do Padre Augusto, seu padrinho, talvez o único ser neste mundo a quem não regateava a sua amizade respeitosa.

Enquanto não se embriagava, conversava muito bem: entretanto, sob o domínio dos vapores do álcool, transformava-se em outro homem, tornando-se impulsivo e porque não dizer, perigoso para os próprios amigos, que estranhava muitas vezes.

Certa noite deu-lhe na cabeça realizar um baile em casa do Padre Augusto, com quem, por isso mesmo entrara em atrito, pois como é obvio não podia o velho Sacerdote concordar com tal façanha em sua própria residência, mesmo porque ele considerava a dança “coisa do demônio”. Ele sempre dizia que em toda sala de dança, no meio dos pares que se divertem, quase sempre está o demônio, pois quem dança nunca o faz por simples distração...

Com a negativa do Padre Augusto, Alfredo, voluntarioso como era, não queria se conformar com o revés sofrido, dizendo que realizaria o seu desejo.

Em resposta, disse-lhe o velho Sacerdote:

Alfredo, sou um Padre Velho humilde, mas respeitável e que sempre o considerou: mas pense, porém. Que me curvo ante as suas ameaças. Pedir-lhe ia assim, desistir de sua idéia que estou certo, estivesse você em seu perfeito juízo, não a conceberia.

Como a uma flor que murchasse diante da luz solar, Alfredo retirou-se pisando forte nos calcanhares da bota para, dias depois pedir desculpas ao seu velho amigo e hospedeiro!...

Um forte Abraço meus conterrâneos Brejeiros. Até a semana que vem!

Enoque A Rodrigues, São Paulo, SP.



sábado, 30 de janeiro de 2010

ASSIM ERA O NOSSO BREJO - PARTE 13 - O Padre Augusto 8...

Sua posse como vigário foi festejada durante oito dias seguidos, recebendo a freguesia das mãos do vigário de Grão Mogol, padre Agapito. Como a paróquia não tivesse casa para residência do vigário, foi residir em companhia de Jacinto Silveira.
A história e a vida deste último não serão, no entanto, narradas nesta crônica. Pela sua ligação e amizade com o Padre Augusto, seu nome aqui aparecerá, como já aconteceu no inicio, apenas com ligeiras referências.
Enquanto o Padre dirigia o povo pelo lado espiritual, à medida que atingia o ponto de maturidade própria aos homens de bom senso e equilíbrio, ele foi alimentando e pavimentando em mente o desejo cada vez mais o desejo de emancipar o distrito.
Iniciara-se na política como correligionário do Dr. Honorato José Alves, de quem se tornara compadre e dedicado amigo. Mais tarde, com o afastamento deste para a Capital Federal, naquela época, Rio de Janeiro, permaneceu ao lado do Dr. João José Alves, ao qual dedicou, mesmo depois da emancipação do município, as suas forças políticas de valor incontestável na região. No tocante a missão que se impusera, de libertar Brejo das Almas das correias que o ligavam à Montes Claros, não era das mais fáceis, porquanto o distrito continuava sendo um foco de desinteligências e de ódios antigos, não se falando na oposição do povo da sede do município.
Ao seu lado, e por influência sua, militava o Padre Augusto que, apesar de sua bondade inata e do amparo que dava aos pobres, granjeou alguns inimigos na classe mais abastada. Assim é que foi tocaiado várias vezes, sem nenhum resultado prático, entretanto.
Para certos homens daquela era, nada mais fácil do que eliminar o adversário, pois a justiça nunca chegava até aquelas plagas. Quando aparecia um cadáver ensangüentado pelas ruas do pequeno lugarejo de Brejo das Almas, ou tomados nos paludes das estradas, o único lenitivo da família era dar enterro condigno ao saudoso parente, recebendo cada um a recomendação toda especial de nem sequer sonhar com o nome do responsável...
Armaram-lhe a primeira tocaia no local denominado “Barreirinho”, a mando de João Soares, tenente da guarda nacional. Para isso, foi contratado um terrível facínora conhecido por Antonio Bahiano, vindo especialmente do estado da Bahia. Quando o Padre Augusto se aproximava da mira da espingarda cartucheira, por intuição provinda de certos fenômenos que ainda estudaremos, sentiu que estava sendo caçado do interior do mato. Como se nada houvesse, determinou que a comitiva acelerasse a marcha, permanecendo para trás entretido na leitura do breviário.
No momento em que seria varado pela carga de chumbos, Antonio Bahiano sentiu fortes dores nos intestinos, acompanhadas de uma paralisia parcial! Trazido para o comércio, quando procurado pelo mandante, passou em seguida, durante vários dias, prostrado em uma cama, até que o Padre Augusto regressasse de Montes Claros. Ajoelhando-se então, aos pés do Sacerdote, em confissão pública, pediu-lhe perdão na presença de todos, exalando ali seu último suspiro.
A primeira escola pública de Brejo das Almas deve a sua criação ao Padre Augusto, que a construiu ao lado da casa de Jacinto Silveira. Como a esposa deste fosse normalista, a seu pedido, o Governo nomeou-a professora, abrindo assim a primeira picada no ensino primário nos sertões de Minas Gerais.
Várias gerações receberam das mãos de Dona Mariquinhas os primeiros ensinamentos. Militando por 35 anos no magistério público, nem assim o Governo do Estado soube reconhecer seu honroso e árduo trabalho, dando ao Grupo Escolar um outro nome que não o seu, negando-se a perpetuar no espírito das novas gerações o nome daquela que fora a primeira professora do lugar e a que mais tempo ali estivera à testa de uma classe!...
Em 1923, após um trabalho interno junto aos maiorais da política, foi criada a Vila de Brejo das Almas, formando um município autônomo do de Montes Claros. Os governos, entretanto, são pródigos em desculpas de exaustão das finanças públicas, para exigirem contribuições mais valiosas dos homens que lideram as comunidades do interior. O Município seria criado, sim, mas instalado quando fossem doados dois prédios ao estado, isto é, um para a Municipalidade e o outro para o Grupo Escolar! Jacinto Silveira não pensou duas vezes: Imediatamente fez as doações dos dois prédios iniciando em seguida suas respectivas construções.
Durante a construção do primeiro deles, o líder do povo de Brejo das Almas, Jacinto Silveira, sentiu pela primeira vez que seu organismo estava se ressentindo de tão árduos trabalhos enfrentados. Sua mão direita não mais queria aceitar o comando do cérebro, tornando-o quase que um inválido. O povo supersticioso por tradição, atribuía aquela moléstia “coisa feita” pelos inimigos políticos invejosos do prestigio que Jacinto Silveira gozava junto ao Governo.
Entretanto, de fundo nervoso ela se manifestava realmente quando certa vez, por qualquer motivo fútil, fora ele ameaçado de morte dentro da sua própria casa. Era esta moléstia o terrível mal de Parkinson que acabou ceifando a vida do grande homem publico de ideais empreendedores.
Um grande abraço, conterrâneos!
Enoque A Rodrigues, de São Paulo, SP.

domingo, 24 de janeiro de 2010

SÃO PAULO, MEU AMOR! PARABÉNS PELOS 456 ANOS!!!

Amanhã, Segunda-Feira dia 25 de Janeiro de 2010, São Paulo estará comemorando seu 456º aniversário de fundação. A cidade mais rica do Brasil, e centro de um conglomerado de município que formam a grande São Paulo, com população de mais de 16 milhões de almas, tem como uma de suas características o fato de nunca estar concluída. É uma cidade em obras constantes, sejam na sua superfície com milhares de prédios sendo construídos, córregos e rios em processo de canalização e no seu subterrâneo com as obras do metrô.
De 30 anos até esta data, São Paulo sofreu modificação brutal que atingiu, principalmente, bairros operários como Mooca e minha Vila Prudente. Suas centenas de fábricas, de uma hora para outra, foram se mudando, ao mesmo tempo que grandes incorporadoras construíam prédios de apartamentos numa sanha que ainda está longe de ser satisfeita.
O fato é que ainda não metabolizamos tais mudanças que afetaram sobremaneira nossos costumes, tradições e a nossa própria razão de ser. Mesmo assim continuamos amando a cidade e sua gente, em especial a da nossa região, que se recusa a abdicar de suas origens européias.
A data nos obriga a pensar no nosso destino e na escolha de vida que queremos. Ainda há tempo de salvarmos o que nos resta.
É notório que as mudanças e melhorias que os muitos administradores desta bela cidade tem implementado estão muito aquém das necessidades e anseios de sua grande população. As grandes mazelas, próprias das metrópoles com a dimensão de SAMPA estão longe de serem sanadas em definitivo. São enchentes que a toda hora ceifam vidas inocentes à beira de uma encosta qualquer. Trânsito caótico que infernizam a vida do Cidadão contribuinte, transportes insuficientes e deficitários onde o pobre usuário é conduzido ao seu local de trabalho como gado, saúde pública beirando ao caos, etc. O pior de tudo isso é que quando os nossos representantes, quando o Síndico desta belíssima cidade- para mim que tive o privilégio de conhecer outras cidades ao redor do mundo, é minha São Paulo a melhor-, são questionados sobre o porque de tanta desgraça, quando teríamos tudo para sermos os melhores, tergiversam com a velha e conhecida retórica de que a culpa de tudo isso “é de Deus ou São Pedro”, por mandarem muita chuva. São realmente verdadeiros “caras-de-pau”. A maioria dos prefeitos que governaram São Paulo, possuíam títulos de Engenheiros. Vários deles formados pela centenária “politécnica da USP. Mesmo assim, até aqui não conseguiram entender que enquanto não pararem de impermeabilizarem os nossos solos, as águas não terão como escoar. Enquanto não se aprofundarem adequadamente a calha do rio Tietê, principal artéria que corta nossa cidade, de nada vai adiantar tanto investimento, pois o cidadão continuará à mercê do tempo. Por outro lado, parte dos cidadãos não faz sua parte. Obstruem os mananciais com todo tipo de sujeira que, quando chove, como tudo na natureza, retornam para suas origens. É o efeito bumerangue.
Estamos em ano eleitoral. Urge melhor conscientização por parte dos eleitores na escolha de seus governantes. Mas ai também fica difícil pois os mesmos eleitores que vão escolher tais governantes são os mesmos que emporcalham os rios. Neste caso, não tem outro jeito senão apelar para a ajuda dos Céus. É o salve-se quem puder.
Parabéns Cidade de São Paulo. O meu amor por ti já dura 37 anos. Lembro-me quando aqui me aportei. Estão gravados indelevelmente em meu recôndito dias e horas infindáveis que aqui tenho trabalhado.


Enoque A Rodrigues, de São Paulo.











sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

...ASSIM ERA O NOSSO BREJO - PARTE 12 - O Padre Augusto... 7

Antes de dar seqüência à narrativa sobre a vida do Padre Augusto Prudêncio da Silva, quero registrar e agradecer aos queridos amigos por ter esta humilde página que mantenho no conceituado City Brasil alcançado nesta semana a marca de 20.300 acessos. Obrigado amigos por conceder-me a honra de suas atenções.
-Em 1904, depois de haver exercido o cargo de presidente da Câmara e chefe do Executivo em sua terra natal, Montes Claros, após eleição disputadíssima e cheia de peripécias, por solicitação própria feita a Dom Joaquim Silvério, sucessor de Dom João, foi transferido para a freguesia de São Gonçalo de Brejo das Almas, hoje Francisco Sá.
Tratava-se de um recanto solitário, para onde nenhum outro padre se arriscaria. Pequeno lugarejo aquém da serra do Catuni, tivera origem na época colonial, quando o garimpeiro audacioso se aventurava pelo sertão à procura das afamadas pedras preciosas.
A estrada por onde eles transitavam deveria ter sido a mesma aberta pelo bandeirante Antonio Gonçalves Figueira para ligar Montes Claros aos currais da Bahia.
Grão Mogol, em virtude de sua riqueza em pedras preciosas, tornara-se logo o foco de centenas de aventureiros; dali o desbravamento que se foi operando no sertão, vindo os mesmos se reverter em Montes Claros, passando por determinado pouso nos contrafortes da serra do Catuni, próximo à nascente do rio Gorutuba.
Nessa toca cheia de aventureiros audaciosos que não temiam a cólera de El-Rei de Portugal, eram os mais afortunados traiçoeiramente assaltados e deles surrupiados os famosos “picuás” recheados de pedras preciosas. Depois, tangidos os seus corpos dentro dos muitos brejos ali existentes.
Os garimpeiros amedrontados, deram ao lugar o nome de “Brejo das Almas”. Referindo-se a esta toponímia tão original, explicava o Professor Neco Surdo: BREJO, porque havia inúmeras lagoas na região, em cujas águas tranqüilas e mornas os salteadores lançavam os corpos dos garimpeiros. DAS ALMAS, porque aquelas almas penadas como que por aqui ficavam até quando Nosso Senhor Jesus Cristo queria...
Neco Surdo era o velho mestre-escola daquelas gerações masculinas que por ali nasciam. Ranzinza e fiel seguidor dos saudosos tempos da régua e da palmatória, arrancou ele muitas orelhas de meninos, nos quais legou heróicas cicatrizes de ferozes combates travados com o BÊ-A-BÁ.
Velho e alquebrado, tomava sérios trotes da criançada que aproveitavam da surdez do mestre para lhe retribuir os “carinhos” com os mais feios palavrões!...
Porque crescessem assustadoramente os assaltos aos mineiros, resolveu o Governador do Estado de Minas estabelecer em Brejo das Almas um posto policial, sendo então designado para comanda-lo o Sargento-Mor Jerônimo Xavier de Souza, ex-comandante de um batalhão de Dragões lá em Santo Antonio do Itacambiruçú. Um neto seu, de nome Cristiano Carlos Xavier, dizia que o Sargento-Mor fora para ali por ordem do Imperador, alegando que o mesmo requerera, no ano de 1835, a divisão da Fazenda. O certo é que o Sargento-Mor, ciente de que sua árdua missão naqueles sertões seria mais a de colonizador, convidou algumas famílias de Vila Rica para se aventurarem com ele, época então em que os primeiros sertanistas se estabeleceram, definitivamente, naqueles cafundós do norte das Minas Gerais. Essas famílias eram os Alves da Silveira, Gonçalves e Pereiras, e Xavieres, esta última a do Sargento-Mor.
Ao mesmo tempo em que travava combate com os tocaieiros, ele foi colonizando a região, distribuindo terras aos amigos que, em sua companhia por ali se aventuravam. Daí nasceram várias fazendas de criar e vários engenhos de cana de açúcar, vindo o fazendeiro José Alves da Silveira, quase um século depois, tornar-se um grande patriarca e “senhor de engenho”. Era casado com dona Antonia Joaquina da Luz, cujos filhos deram ao lugarejo uma descendência hoje avaliada em alguns milhares de pessoas!
A primeira criança batizada pelo Padre Augusto, ainda em Montes Claros, chamou-se Osório que por isso mesmo tomou-o como pupilo, sendo responsável por sua criação e educação. Com alma generosa e desprendida de bens materiais, suavizava misérias e consolava também com carinho os desamparados. Era uma grande Alma.
De vez em quando o Padre Augusto, montava a cavalo e chegava até o distrito de S. Gonçalo de Brejo das Almas, a fim de visitar os parentes. Ele já ia ali anteriormente para ministrar as festas religiosas, hospedando-se com Luiz Gomes, avô de José Fernandes, o primeiro menino tomado, verdadeiramente para ser criado em sua casa. Falecida a sua mãe, em Montes Claros, consolidou-se a sua transferência em definitivo para a freguesia de Brejo das Almas.
Semana que vem tem mais. Um grande abraço meus conterrâneos.
Enoque A Rodrigues, de São Paulo, SP.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

...ASSIM ERA O NOSSO BREJO - PARTE 11 - O Padre Augusto... 6

Precisava se despedir agora do Seminário, galgar a serra e tomar o rumo do sertão de Minas. Era mais outra família que ele deixava para trás. À porta estavam aglomerados os mestres queridos. Como na despedida de Montes Claros, há 12 anos atrás, abraçou a cada um ternamente, com uma lágrima furtiva umedecendo-lhe os olhos atrás dos óculos...Galgando o lombo de uma besta, foi abanando de novo o seu lenço branco, despedindo-se dos entes queridos, até que a alimária sumiu-se numa encruzilhada do caminho...
Enquanto a mula andava naquele passo cadenciado pelas serranias afora, o agora Padre Augusto ia passando pela recordação, os colegas de Seminário: Justiniano Fernandes de Azevedo, Honório Benedito Otoni, Antonio de Souza Neves, Álvaro da Mata Machado, Genesco Alves Pereira, Antonio Augusto Versiani, Antonio Homes da Silva Chaves Jr., José Gomes da Silva Chaves, Antonio Francelino Lafettá, Feliz Antonio de Souza Brandão, Teófilo Vieira de Andrade, Davi Eloi Otoni, Francisco Augusto Alkmin, Assis Moreira da Silva, Herculano dos Santos Mourão, Augusto Clementino da Silva, Maximiliano da Silva Rolim, Sabino Barroso, José Ferreira de Andrade e Edmundo Lins...
A primeira missa deve ser o marco inicial na vida de um sacerdote católico. Como o soldado ao receber o batismo de fogo, é diante do altar que ele toma verdadeiro contato com as coisas Divinas, relembrando principalmente o sacrifício tremendo que se desenrolou pelas ruas da Sagrada Jerusalém, até o final doloroso do alto do Calvário.
Diante do altar da religião que abraçou, o jovem sacerdote sente uma tensão extraordinária! Com o pensamento, percorre os primórdios da humanidade, vindos de Adão e Eva no Paraíso Terrestre, passando pelo Dilúvio Universal, até a chegada de Abraão vindo da Caldéia; de Jacó sonhando com a escada miraculosa que ia até a porta do céu; da região pastoril, suave e tranqüila onde ele chorou a morte de sua amada Rachel; dos sofrimentos e da grandeza de José, governador dos povos, de Moises com os hebreus no deserto; de Davi cantando os Salmos aos acordes de sua lira; da grandeza do rei Salomão e dos pórticos grandiosos dos templos de Jerusalém; finalmente, de Jesus a pregar diante das turbas de Judeus que O levaram ao sacrifício redentor da Cruz!
Aquela data de 16 de agosto de 1879 ficaria gravada indelevelmente nos corações daquela gente, pois nada mais providencial, aos sentimentos do povo antigo, do que receber a benção de um sacerdote da própria terra sobre a qual Deus lançara o seu olhar e a centelha do Seu amor!
Vestindo uma batina nova, de tecido brilhante, colarinho rendado e um barrete de três bicos, o Padre Augusto saiu de casa acompanhado de uma grande multidão de povo. Cada qual queria ter a primazia de estar junto dele! Ao chegar a porta da Igreja, uma fila de meninas saúda-o atirando-lhe pétalas de rosas!
A Igreja era pequena para os amigos e fieis! Paramentado, galgou ele os primeiros degraus do altar! Naquele instante, querendo retroceder o pensamento às coisas do passado, suas idéias avançavam, no entanto, para os dias do futuro, mostrando-lhe antecipadamente a árdua missão que lhe fora destinada!
Sempre tivera uma atração especial pelos pequeninos, menos favorecidos e abandonados, sem pai e sem mãe, filhos espúrios da adversidade, criados à mercê do vicio e da corrupção, assim como o Divino Mestre se compadecia das mulheres perdidas!
Enquanto outros menos escrupulosos se compraziam em galgar postos na carreira sacerdotal, aquele tinha em mira o amparo ao menor abandonado, aos sofredores, tendo como modelo o imortal São Vicente de Paulo. Assim foi que, durante a cerimônia de sua primeira missa, se viu transportado em espírito aos paramos infinitos aonde viu centenas de criancinhas vestidas de branco e cercando com alegria o Mestre Divino!
Aquela visão impressionante talvez fosse a trilha que o Senhor traçava para ele, aceitando a sua vocação de pai adotivo de dos filhos sem nome, pois Ele próprio não dissera quando os discípulos O afastavam das crianças, que estas são o Reino dos Céus?
Quando pronunciou a ultima silaba da liturgia da Igreja, naquele instante exato, o antigo pupilo do Cônego Chaves entrava verdadeiramente na carreira sacerdotal que tanto dignificaria durante mais de meio século!...
No próximo sábado, 23/01/2010, estarei dando inicio a narração de sua transferência para São Gonçalo de Brejo das Almas, hoje, Francisco Sá, “beldade do norte de Minas”, onde exerceu por mais de 40 anos o mais puro sacerdócio.
Um grande abraço “brejeiro” para vocês, meus conterrâneos!!!
Enoque A. Rodrigues, de São Paulo, SP.









O EVANGELHO SEGUNDO JUDAS

Caros amigos!

Recebi hoje, após tanto tempo de garimpagem, livro "O Evangelho Segundo Judas", publicado pela Polígono Artes Gráficas, em 1982, escrito pelo maior escritor já produzido pelo norte de Minas Gerais, Geraldo Tito Silveira, o mais ilustre filho de Francisco Sá.

Por incrivel que possa parecer, tanto as capas como as folhas de mencionado livro que adquiri no Sebo de Renato Mauro Ribeiro, localizado na Rua da Bahia, 1148, em BH, se encontram intactasou quase novas.

Ainda não iniciei a leitura, mas parece tratar-se de temática bíblica ou com algumas passagens inerentes a este libro Sagrado. O certo é que, mesmo não tendo ainda lido, estou convicto que pelo simples fato de ter sido escrito por Geraldo Tito, já me dá a sensação de ser "coisa bôa".

Prometo que após concluir a leitura de "O Evangelho Segundo Judas", comentarei com vocês!!!

Com este já são 8 (oito livros que possuo do gran de Geraldo Tito Silveira.

Um grande abraço para vocês e uma ótima leitura para mim!

Enoque A Rodrigues.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

CHOVE NA ZONA LESTE...

Chove torrencialmente agora em São Paulo. A Zona Leste, para variar já a partir da Vila Prudente, está toda debaixo dágua. Alô Kassab!!!

Enoque A Rodrigues